5 de janeiro de 2017

sobre se tornar mulher


O primeiro post desse ano para mim não poderia ser diferente. 2016 me marcou tanto, me mudou a tal ponto, que diria que foi o ano mais decisivo da minha vida. Beauvoir dizia que não se nasce mulher, se torna. Eu tenho pleno acordo. E se tornar mulher - mesmo que agora eu esteja me apropriando de um conceito diferente do que ele aborda - para mim tem sido uma experiência maravilhosa.

Tudo começou com o processo de por a prova a forma como eu me vestia. Repensar meus gostos, meus hábitos e problematizar uma coisa tão banal quanto roupas, me fez navegar em uma profundidade psíquica sem precedentes. Com isso várias coisas mudaram, desde reflexões profundas, até hábitos cotidianos. E ao chegar no fim do ano, olhando para a minha casa, minhas roupas e minha expressão segurando uma taça de vinho, eu tive certeza que o resumo para o que vivi em 2016 seria refinamento. Quando se passa por uma peneira tudo que tem dentro de si e deixa que fique somente o que realmente é verdadeiro.

Com isso gostaria de destacar algumas mudanças que achei divertidas.

1. Comecei a gostar de Chico Buarque, Elis e Noel Rosa.
2. Comecei a apreciar vinho.
3. Comecei a tomar café e não passo mais um dia sem. Prefiro duplo expresso e jamais coloco açúcar.
4. Passo grande parte do meu dia ouvindo Beethoven.
5. Comecei a ler poesia, coisa que antes achava extremamente chato.

Tudo isso são pequenos hábitos que eu jamais imaginaria adquirir na minha vida. Em termos musicais, eu sempre gostei de MPB e música clássica, mas esses artistas e compositores em especial não. Nunca me imaginei cantarolando a ópera do malandro, ou mesmo chorando ouvindo Elis Regina. Como poderia supor que aquela música angustiante e que me dava dor de cabeça do Beethoven hoje seria minha trilha sonora cotidiana? Ou mesmo que no intervalo disso estaria a sambar com Noel?

E café? Quem diria! Nunca gostei nem do cheiro. E de repente, em um ano me apaixonei, ao ponto de só conseguir tomar se for expresso, sem açúcar e com o gosto mais forte possível. Vinho então? meia taça para mim era um martírio. Hoje tomo uma garrafa de vinho branco como um dos maiores prazeres do universo.

Brinco com as coisas banais, porque há coisas que não posso escrever aqui. Mas diria que muitas mudanças internas ocorreram e o restante é apenas reflexo. Minha relação com meu corpo, minha liberdade. Algumas experiências muito marcantes me tornaram uma outra pessoa, muito mais madura, muito mais segura. Tem sido uma aventura! E percebi ao cruzar os 25, que ser mulher é algo maravilhosamente estranho. Doloroso e fantástico. Uma experiência única.

Não queria jamais escolher outro caminho. Nas vezes em que acho o peso de ser mulher insuportável, ainda assim optaria por isso. Ser mulher é a melhor experiência que eu poderia ter nessa existência.



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Jess, 25 anos vivendo em São Paulo, Brasil. Nesse blog compartilho registros visuais cotidianos como forma de eternizar momentos. acredito em um estilo de vida orgânico e autoral e estou sempre absorvendo + do mundo ao meu redor.

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